Com menos de um metro de altura, menor vereadora do Brasil é do norte da Bahia

A menor vereadora do Brasil é da cidade de Irecê, no norte da Bahia. Meire Joyce Souza Figueiredo, a “Meirinha”, tem 37 anos, 98 centímetros e 24 quilos. Ela tem problemas até para alcançar o assento de uma cadeira. Mas Meirinha é mais do que uma pequena grande mulher.

Portadora da síndrome de nanismo, eleita em 2016 para a Câmara de Vereadores de Irecê, é considerada uma gigante na defesa dos direitos de quem, por algum motivo, é excluído do mundo dito “normal”.

Em Irecê, conseguiu transformar em lei municipal a adaptação dos caixas eletrônicos pelas agências bancárias, que são obrigadas a disponibilizar caixas alcançáveis para anãos, mas não o fazem. “Infelizmente, isso ainda não tem sido respeitado. Mesmo os caixas adaptados para cadeirantes eu não alcanço. Os bancos são instituições privadas que insistem em não cumprir a lei”, critica a vereadora, que, enquanto falava dos seus projetos e realizações, relatou diversos outros episódios constrangedores do dia a dia em que seu mandato de vereadora para nada serviu.

Já fiquei presa no banheiro de um shopping porque não alcançava a maçaneta. Nas repartições federais, daqueles prédios antigos, não consigo ver o atendente. Levo tudo na brincadeira, levo para o lado positivo e da graça. Mas, sei que o assunto é sério e que essa realidade precisa mudar”, defende.


(Foto: Acervo Pessoal)

Luta

A luta de Meirinha contra um mundo que insiste em ser apenas grande, na verdade, vem desde 1995. Aos 12 anos, ela distribuiu ofícios junto aos órgãos públicos e instituições financeiras da cidade para que instalassem orelhões adaptados.

Primogênita do segundo casamento do pai, ela – que tem outros cinco irmãos – é a única com nanismo na família e foi criada em um ambiente todo adaptado. “Eu só lembro que tenho nanismo quanto tenho que pegar algo no alto. Ou quando tenho que abrir o chuveiro da casa dos outros. Porque na minha casa é tudo adaptado”, ri Meirinha. “Minha família sempre lutou muito na roça para tirar o seu sustento. E sempre me tratou como igual”.

Meirinha começou a trabalhar aos 10 anos como vendedora de bijuterias e atendente de uma locadora de filmes. A educação foi o meio para que a sua vida se transformasse. Formou-se em administração de empresas pela UESSBA – Faculdade do Sertão e pós graduou-se em gestão de negócios. Para pagar os estudos, fez de tudo: de digitadora a auxiliar de escritório, de telefonista a supervisora administrativa em estabelecimentos diversos.

Hoje, Meirinha continua fazendo de tudo um pouco, só que em atividades bem mais importantes. Além de vereadora, é consultora empresarial e professora universitária. Também é produtora da festa de camisa Forró do Bode. Mas, talvez a maior fonte de prazer profissional de Meirinha seja as palestras que ministra. Visita escolas, faculdades e empresas para falar sobre bullying, preconceito e acessibilidade. Conscientizar pessoas e tira-las da ignorância parece ser o seu destino.

Tanto que, se nascesse de novo, Meirinha diz que gostaria de vir do mesmo jeito, em miniatura. “Se Deus me desse uma oportunidade de nascer de novo e dissesse: ‘Meirinha, você quer repetir essa vida pequenininha do jeito que é?’. Eu ia dizer que ‘sim’ porque sou muito feliz”.

Relacionamentos

Meirinha já teve alguns namorados e ultimamente está “morando junto”. Admite que é um pouco cismada com relacionamentos. “Sempre tive receio em ser usada ou objeto de curiosidade. Por isso policio muito meu coraçãozinho”, avisa. Mas, quando o assunto é sexo, Meirinha não tem problema algum em falar. Afirma com todas as letras que “entre quatro paredes vale tudo”. E tem suas preferências. Gosta de homens grandes. “De pequena basta eu! Gosto de homem grande, malhado  e que faz da mulher uma lagartixa”, enfatiza às gargalhadas. “Mas tem que ser educado e cavalheiro nas horas certas”.

Com tanto apoio, nas eleições do ano passado, Meirinha tentou alcançar uma vaga para deputada federal. Esse objetivo, porém, ficou para depois. Como se pode ver, nenhum sonho é alto demais para Meirinha. (Fonte: Correio da Bahia)

Postado no Blog Carlos Britto

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