Eleições 2018: À beira do abismo ou à espera de uma primavera brasileira

Em junho de 2013, quando o Brasil viveu um momento de efervescência das ruas nos protestos a partir do aumento de R$ 0,20 no preço da passagem de ônibus em São Paulo, muito se falou sobre o grande instante do gigante que teria acordado. Criou-se muita expectativa em torno de uma mudança de cultura, que iria permitir que aquele tal país do futuro, ensinado há algumas gerações, chegasse.

Ledo engano. Tudo continuou exatamente como era. O país continuou extremamente desigual. “Não é pelos 20 centavos”, bradavam multidões de anônimos que geraram belas imagens para a imprensa e para aquilo que se assemelhava aos movimentos acontecidos meses antes em outras partes do mundo. O que era para ser o embrião de um novo momento político, com engajamento da juventude e dos mais diversos grupos foi abortado. No ano seguinte, quando havia grande expectativa de mudança nas eleições, mais do mesmo.

O resultado do pleito de 2014 criou, em muitas pessoas, a sensação de que o país não teria futuro. Divididos entre o petismo e o anti-petismo, os brasileiros viram princípios da hemorragia que se tornou o Brasil com a queda de Dilma Rousseff com o impeachment e a ascensão de um Michel Temer com baixa popularidade e duplamente denunciado pela Procuradoria-Geral da República.

Foi um processo de desencanto, que se intensificou ao longo dos últimos meses até chegar ao momento em que estamos. Às vésperas de uma nova eleição presidencial, com atores políticos ligeiramente diferentes do pleito anterior, nossos compatriotas tornam a disputa política um instante de intolerância e aproveitam para destilar preconceitos, antes guardados no âmago de cada um.

O debate de ideias, expectativa primordial numa democracia, está em segundo plano. Não é apenas uma questão de dualidade nós x eles. É um conjunto de fatores que tornam a política muito falada. Mas muito mal falada. Admitamos que boa parte das responsabilidades cabe a esses atores que eternamente participam da disputa. Não só. Mesmo aqueles que se dizem novos tem ideias de velhos fanáticos sobre aquilo que acham melhor para o país.

Somos uma nação à beira do abismo. E, ao invés de tentarmos dar uma guinada no caminho desse precipício, estamos sendo empurrados por uma onda que oscila entre o “pior que está não fica” e o “lavemos as mãos, pois eles não sabem o que fazem”. Nessas horas, a consciência que falta para os mais radicais pesa nas mentes pensantes das cucas maravilhosas. Estamos todos surdos.

O 7 de outubro de 2018 e até mesmo o 28, se houver segundo turno, pode se tornar um marco de um novo momento para o Brasil. Se em junho de 2013, tivéssemos sabido canalizar toda aquela força do gigante cambaleante, talvez a nossa situação fosse menos ruim atualmente. Não quero escolher o menos pior. Acredito que ninguém queira. Por isso, talvez seja essa a primavera que esperamos. Não a árabe. Uma bem brasileira.

Postado no Bahia Noticias

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