Procura-se um candidato a prefeito de Salvador para o PDT

Tradicional partido brasileiro, o PDT vive uma situação inusitada em Salvador. Depois de manter durante alguns anos apenas um representante na Câmara de Vereadores da capital baiana e ter gestado a candidatura de Sargento Isidório a prefeito em 2016, a legenda busca um nome para participar do pleito do próximo ano. E, a partir das declarações públicas de representantes da sigla, percebe-se que há uma intenção clara de marcar presença nas urnas.

Tudo começou com a aproximação com Vovô do Ilê. Símbolo do bloco conhecido como “o mais belos dos belos”, ele foi apresentado como um pré-candidato pelo partido. Dentro da expectativa de uma candidatura negra na capital baiana, Vovô seria um bom ponto de partida. Porém o presidente do Ilê Aiyê pode, eventualmente, não ter o nome validado pela Justiça Eleitoral, a partir de um convênio cujas contas foram reprovadas pelo Tribunal de Contas da União. Nada que um bom advogado não resolva, porém se mantém sob suspeição.

Alguns meses atrás o burburinho começou a tomar forma em torno do secretário de Saúde de Salvador, Léo Prates. O deputado estadual licenciado se aproximou do partido após conversas com outras siglas mais à esquerda que o DEM, legenda pelo qual construiu a carreira política. E foi o PDT que deu “maior corda” a essa aproximação. Tanto que, há poucas semanas, Prates foi a Fortaleza onde encontrou com um dos atuais gurus pedetistas, o ex-candidato a presidente Ciro Gomes. A filiação dele depende de ACM Neto, porém as chances de uma postulação ao Palácio Thomé de Souza seguem relativamente baixas – o titular da Saúde seria um plano B do grupo político dele.

Na última sexta-feira (25), o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, deu um nome a mais para essa busca: o dirigente do Esporte Clube Bahia, Guilherme Bellintani. Ele, todavia, caminha para, se lançado candidato, se filiar ao PSB. Ainda assim, a simples menção reforça a tese que o PDT realmente busca investir numa candidatura em Salvador – e colateralmente aponta que a movimentação de Bellintani é bem real. Essas três tentativas sinalizam que o partido quer se manter como um jogador importante na construção do tabuleiro soteropolitano em 2020 e também de olho em 2022, quando deve insistir na candidatura de Ciro ao Palácio do Planalto.

A movimentação do PDT é apenas um exemplo de como partidos históricos que orbitaram durante anos como satélites de outros grupos políticos começam a se mobilizar para ampliar suas bases eleitorais. Parte disso é resultado da cláusula de barreira, que progressivamente vai diminuir o número de legendas no Brasil. Assim como os pedetistas, siglas como PCdoB, PSB e o próprio DEM vão buscar ampliar seus espaços em todos os próximos pleitos. Isso inclui estar representado nas disputas nas principais capitais do Brasil, incluindo, é claro, Salvador. Se vai dar certo? Só o tempo dirá. (BN)

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